quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dazed and Confused (1993)


Uma confissão: nunca tinha visto nenhum filme de Linklater. Já tinha tentado. Mas gosto mesmo muito de ver os filmes certos para a disposição que tenho no momento e parece que hoje acertei em cheio. Sempre ouvi (li) que Linklater é um génio. Mas só agora percebi o porquê.

Dazed andConfused é o retracto mais simples, perfeito e completo que vi até hoje sobre a adolescência. Se calhar por ser tão intemporal e por tocar em aspectos que ainda hoje são o espelho da juventude. A irreverência, ansiedade, ambição, coragem, comodidade, o encontrar do seu próprio “eu” bem como as amizades, os círculos de amigos e as relações amorosas e familiares.

Mostra-nos o último dia de aulas de um grupo de jovens do secundário e um outro do 3º ciclo. Entremeando a estória do grupo de finalistas com o grupo de caloiros através dos rituais de recepção aos novos alunos e das festas de início de verão. Linklater consegue representar todos os grupos, indivíduos, e personagens que existem na adolescência, seja o grupo dos intelectuais, o dos atletas, o dos que estão na sua a fumar umas ou simplesmente daqueles que não querem saber de quaisquer convenções sociais. Há todo o tipo de jovens que ainda hoje fazem parte da juventude escolar, seja nos EUA seja em Portugal.


Dazed and Consfused é irreverente, impaciente e assertivo tal como o seu objecto de estudo. A juventude. Se a estória só se passa num dia, acredito que seja para demonstrar isso mesmo. Que sentido faria contar uma estória passada durante um mês acerca de alguém que apenas vive o momento?

“Man, it's the same bullshit they tried to pull in my day. If it ain't that piece of paper, there's some other choice they're gonna try and make for you. You gotta do what Randall Pink Floyd wants to do man. Let me tell you this, the older you do get the more rules they're gonna try to get you to follow. You just gotta keep livin' man, L-I-V-I-N.” - Wooderson


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

TCN Blog Awards 2014


É com orgulho que anuncio que este meu espaço é nomeado em duas categorias aos TCN Blog Awards 2014

O Quero Ver 1 Filme vai estar presente nas categorias de Novo Blogue e Artigo TV. Não deixem de passar pelo Cinema Notebook para ver os restantes nomeados, assim como todas as categorias presentes em competição nesta bela iniciativa.




segunda-feira, 13 de outubro de 2014

The Imposter (2012)


A experiência cinematográfica nos documentários por vezes pode ser limitada. Limitando-se os mesmos a apresentar um exercício semelhante a uma reportagem sem qualquer aspecto técnico relevante para a experiência de observação de um filme. The Imposter não é um desses casos. Pelo contrário. É cinema.

Como o próprio nome do Documentário indica, e sem dar nenhum spoiler, estamos perante um caso de fraude. Mas é possível que venha a estragar a visualização de quem ainda não viu. Por isso, aconselho a parar de ler e a ver de imediato o Doc em questão.

A história é-nos contada em 1ª pessoa pelo burlão. Trata-se de caso de desaparecimento de um rapaz de 10 anos do Texas que é dado como encontrado, em Espanha, ao fim de 4 anos. De facto, como é de esperar, não é a criança em questão que é encontrada mas sim este nosso vilão que se faz passar pelo jovem Norte-Americano. Consegue não só enganar toda a gente envolvida no processo de repatriação, como consegue, para seu próprio espanto, enganar a própria família de acolhimento.

É aqui que Bart Layton consegue fazer o clique de génio neste documentário. Durante quase todo o filme temos o vilão a falar de olhos directamente para a câmara. Consegue por desconfortável quem quer que esteja a ver porque sabemos que estamos a olhar para um burlão. Mas quando este nos revela aquela que acredita ser a causa da família nunca ter desconfiado que ele fosse seu filho, o espectador perde-se e entra em conflito próprio com a sua razão. Devemos acreditar no criminoso condenado por burla? Devemos acreditar na família que acolheu um estranho e o confundiu com o próprio filho? Este será, para mim, o triunfo de Bart na construção deste documentário.


The Imposter é um bom documentário. Apesar de perder um pouco de ritmo a meio, é um excelente caso de pura cinematografia e edição em documentários.

“Before I was born, I definitely had the wrong identity. I already didn't know--I was already prepared not to know who I really was.”


sábado, 11 de outubro de 2014

The Internet’s Own Boy: The Story of Aaron Shwartz (2014)


Confesso que nunca tinha ouvido falar da pessoa em questão. Pode ter sido completa distracção minha ou provavelmente será mesmo a confirmação daquilo que o documentário procura provar.

Aaron Swartz foi um génio da Internet que tal como outros, fundou e ajudou a construir alguns dos melhores sites e sistemas de partilha de informação online. Diferente desses outros foi a sua motivação. Swartz não tentou criar nenhum império multimilionário. Foi motivado pela liberdade de informação e, principalmente, pela liberalização no acesso a documentos e artigos científicos. Acreditou no avanço da humanidade através do livre acesso a esse conhecimento. Por ser considerado um activista no país errado, encontrou-se preso a um processo que levou a melhor de si. Esta foi a sua luta e a sua vida.

Brian Knappenberger consegue um documentário solido. Tenta mostrar-nos um pouco da curta carreira de Aaron e justificar toda a sua luta. Do lado oposto da tela consegue colocar uma série de questões que, aparentemente, continuam sem resposta. Todas se predem com o facto de não se conseguir decifrar qual a motivação por parte do governo em colocar uma das maiores mentes da nossa era atrás das grades.

Um documentário cativante e emotivo que nos faz valorizar a vida e nos ajuda a reflectir acerca do nosso impacto num mundo cada vez mais globalizado.


“Aaron is Dead. Wanderers in this crazy world, we have lost a mentor, a wise elder. Hackers for right, we are one down, we have lost one of our own. Nurturers, carers, listeners, feeders, parents all, we have lost a child. Let us all weep. ” – Sir Tim Berners-Lee


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Killers (2014)


Vi ontem no Motelx aquele que poderá ter sido um dos melhores filmes do festival. Surpreendentemente a sala não era a maior e não estava cheia. Por alguma razão há de ter sido.


Killers é apresentado como a nova obra de The Mo Brothers, a dupla de cineastas indonésios que anda a tomar o cinema asiático de assalto. Mostra um filme nu, cru, frio e nada longe do sádico. Com uma mensagem tão aterrorizante quanto a violência explícita das suas imagens.


É um filme que preza pela cinematografia, banda sonora, alguns planos excepcionalmente bem conseguidos e um bom desempenho geral de todo o cast. Pode deixar um bocado a desejar com o seu final abrupto, mas no fim saí da sala com uma sensação de satisfação. É um filme aconselhável a qualquer fã do Thriller asiático.