quarta-feira, 16 de julho de 2014

Bica #6 - Cinematics


Não posso dizer que seja uma curta. Talvez apenas um pequeno exercício de animação. Mas que, certamente, tem lugar aqui nesta minha rubrica. 

Uma curta passagem por alguns dos clássicos e filmes de culto que fizeram parte da história do cinema. Os créditos vão para Pier Paolo (ilustrador) e Marcelo Baldin (Tema).



Cinematics from Pier Paolo on Vimeo.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Locke (2014)


Locke é sem dúvida um filme que vale a pena ver. Sim, é verdade que é, como no trailer, inteiramente passado dentro de um carro. Sim, é só a interacção de um único actor, em forma física, com uns outros tantos por telefone. Não, não é uma seca. Pelo contrário, é um filme que desde início prende o espectador ao ecrã.

Ivan Locke (Tom Hardy) é um bem-sucedido Director de construção que tem em mãos tanto a maior das obras que a sua carreira profissional lhe poderia oferecer, como a queda da maior edificação da sua vida familiar. Ivan vive atormentado com a sua não relação com o pai e, por isso, é obcecado em viver a vida nos limites éticos e morais de qualquer código de conduta e honra. Mas como não passa de um comum mortal Ivan tem um pequeno deslize. Alegoricamente, como explicado no filme aquando uma conversa entre Ivan e o seu encarregado, esse pequeno deslize pode ser visto como uma pequena fenda na fundição de um prédio. À medida que vamos acrescentando peso ao edifício, a fenda vai aumentando até ao ponto de fazer cair toda a estrutura. Neste caso, a fenda aparentemente já estava criada na vida de Ivan desde nascença. Tal como o próprio afirma “concrete is blood!”, o que nos diz que a natureza do seu pai acompanhou-o para a vida e que quanto mais Ivan escalou na hierarquia familiar e social, maior foi a sua queda.



É uma obra que prima pelo excelente e incontornável desempenho de um Tom Hardy que há muito precisava de um papel neste registo. Do trabalho que conheço de Hardy, este talvez será o seu melhor com a excepção de Bronson. É uma obra de aprimorada gestão de espaço, tempo e emoção, que consegue suportar toda a estrutura e entregá-la com sucesso ao espectador. Talvez este tenha sido o triunfo de Steven Knight.


quarta-feira, 2 de julho de 2014

The Cabin in the Woods (2012)


Este podia ser mais um filme terror, daqueles bem cliché. Com um grupo de universitários que aproveitam um pequeno fim-de-semana para passar no meio da floresta e acabam a ser atacados por um bando de zombies, ou massacrados, ou torturados, ou qualquer outra coisa por qualquer outro monstro/perigo/predador. Mas por acaso até é esse tipo de filme. Ou será que não é? Eu nem consigo definir bem o género de filme que vi. 

Esse mesmo grupo de jovens, influenciado por uma agência secreta (que mesmo depois do final do filme, continua ser), é forçado a tomar um conjunto de decisões que invariavelmente vão levar ao seu massacre, um por um tal como em qualquer filme de terror que se preze. Tudo enquanto estão a ser monitorizados e encaminhados para o seu fim de vida prematuro. Uma versão gore de The Truman Show fundido com The Hunger Games

The Cabin in the Woods certamente terá o seu lugar especial entre os que desafiaram a regra, até porque mesmo o fazendo lá a foram cumprindo. Pode parecer confuso, mas só estou a tentar evitar spoilers. Tudo porque o filme em questão está tão carregado de twists que só mesmo vendo o filme é possível perceber o desafio de o descrever. 


De qualquer forma, é um filme razoável. Com todas as falhas que seriam de esperar e com a mesma dificuldade de sempre em entregar um final mais palpável. Só resta mesmo, para quem ainda não o fez, ver o filme. Não perde assim tanto, na sua essência é um bom entretenimento, ainda que muito mal explicado. But who cares?

“Yeah, uh, I had to dismember that guy with a trowel. What have you been up to?” - Marty


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Cinema em Cenas #7 - Mozart's originals - Amadeus (1984)


Uma das minhas cenas preferidas de um dos meus filmes preferidos. Penso que seja uma boa entrada para quem nunca viu o filme. Sem grandes SPOILERS, mas que carrega grande parte daquela que é a mensagem do filme. Uma pequena demonstração de genialidade, inveja e admiração.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Barry Lyndon (1975)


Não há dúvida que este será um dos melhores trabalhos de Kubrick e provavelmente um dos seus mais desvalorizados. Talvez pelo ritmo lento e de pouco entretenimento não será o tipo de filme que agrada ao espectador comum, mas, sem dúvida, vale a pena um pequeno esforço para aqueles que procuram uma verdadeira jóia do cinema.

Barry Lyndon é uma pequena odisseia de um jovem confuso e sem muitos princípios na europa do séc. XVIII. O acompanhar na vida de uma máscara fugida e escondida na dispersa sociedade aristocrática. Com passagens pelo exército, trapaças e tentativas de arrecadar títulos, esta obra acompanha o jovem irlandês desde o início da sua adolescência até o ponto mais alto a que a sua determinação e ambição o levaram. Tenta mostrar os interesses e a maldade do jogo de poderes na sociedade e pode ser transposto para a realidade dos nossos dias que vivemos numa sociedade cada vez mais provida interesses particulares em detrimento do bem comum.


Para mim, o mais interessante desta obra é sem dúvida toda a realização e envolvente que Kubrick consegue criar. Das duas vezes que tive o prazer de olhar para o ecrã e ver esta magnífica peça, fiquei obcecadamente preso naquelas cenas. Kubrick consegue o que qualquer realizador de filmes de época tenta... transportar o espectador para aquele mundo. É óbvio que não posso sequer imaginar como era a vida naquela época, mas o que se vê nesta obra é uma realidade que parece existir numa altura em que nem sequer havia câmaras. Ou seja, com os passeios de coche, as caminhadas à beira dos lagos, as festas e cerimónias, duelos, batalhas e cenas atrás de cenas filmadas somente à luz de velas sem recurso a luz artificial Kubrick transporta-nos, como poucos conseguem, para ali, para aquele momento.

Em última instância é um filme envolvente e, para mim, uma perfeita obra-prima, um quadro assinado por Stanley Kubrick.


“I’m not sure if I can say that I have a favourite Kubrick picture, but somehow I keep coming back to Barry Lyndon. I think that’s because it’s such a profoundly emotional experience.” Martin Scorcese


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Rise Sir Daniel!


Depois de nomes como Sean Connery, Charles Chaplin, Anthony Hopkins, Ian McKellen, Michael Caine, Patrick Stewart, Sidney Poitier ou Christopher Lee, chegou a vez de Daniel Day-Lewis receber a condecoração de cavaleiro da coroa Britânica. A partir de agora: “”The Oscar goes to: Sir…”



segunda-feira, 16 de junho de 2014

Cinema em Cenas #6 - Opening scene - Halloween (1978)


Uma cena absolutamente inquietante que por si só poderia ser uma curta de suspense. Um POV contínuo até aos últimos segundos e a terminar em cliffhanger. Genial!


segunda-feira, 9 de junho de 2014

WOW!


São os primeiros 5 minutos de 10.000 filmes. É só irem clicando na tela para fazer zoom e tentar identificar os que conseguirem! Boa sorte!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

The Cove (2009)


Sem dúvida alguma, este é o documentário mais emotivo que já vi. É revoltante, assustador e acima de tudo coloca-nos na posição de sermos obrigados a tomar consciência acerca dos nossos actos de consumo irracionais e desprovidos de qualquer pudor.

The Cove é um documentário centrado na chacina de dezenas de milhares de golfinhos, organizada anualmente em Taiji – Japão. Procura divulgar ao mundo as primeiras imagens daquele evento vergonhoso, bem como sensibilizar o espectador para o tipo de animais de que estamos a falar. É uma obra orquestrada por Ric O’Barry, o homem que ajudou a construir toda a indústria de delfinários espalhados pelo mundo e que desde a morte de um dos seus golfinhos se tornou no maior activista mundial em defesa desta particular espécie de cetáceos. O’Barry trabalha em prol da libertação de golfinhos detidos em cativeiro e mostra esta matança como uma consequência directa da procura incessante por novos espécimenes.

O documentário é construído como se de um filme de assalto a um banco se tratasse. Toda a preparação e planeamento, bem como a tecnologia de ponta que é usada para conseguir as imagens até então inacessíveis para qualquer ser humano. Sempre acompanhado por diversos relatos e ilustrações que ajudam a fomentar no espectador toda a uma luta interior por aceitação de um facto quase intocável socialmente, como é o caso do sofrimento dos animais selvagens detidos em cativeiro. Quantos de nós já visitaram parques temáticos e zoos? Quantos de nós já assistiram a shows de animais marinhos sem pensar no tipo de sofrimento a que aqueles animais estão expostos?


É aí que surge a importância deste filme. Podia simplesmente centrar-se na matança. Mas o que faz é pegar naquilo com que o espectador está familiarizado e sensibilizá-lo para todo o problema da procura de golfinhos.

É sem dúvida dos melhores documentários que já vi. E com toda a certeza o mais corajoso de todos. É importante que todos vejam esta peça, porque este não é um problema que se passa a não sei quantos mil km numa baía qualquer. É um problema que nasce e está enraizado na sociedade quando esta aceita que um animal capturado a não sei quantos mil km numa baía qualquer seja ferramenta de entretenimento.


"The dolphin smile is nature's greatest deception," Ric says. "It creates the illusion that they're always happy. I think this multi-billion dollar captivity industry is built on that optical illusion."